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Conforme Certidão de Óbito, folha 62v, do Livro C - 1, de Almirante


Tamandaré do Sul, Christiano Ohse faleceu em seu domicílio nesta cidade


onde residia com seu filho Willibaldo, no dia 28 de setembro de 1975, às


17:00 horas, com a idade de 93 anos, 04 meses e 01 dia, sem assistência


médica, de morte natural, não tendo deixado bens a inventariar.



Foi declarante Mário Seffrin, proprietário da funerária Seffrin, o qual


providenciou o túmulo e encaminhou o seu sepultamento no Cemitério


Evangélico de Vila Seca, atual distrito de Almirante Tamandaré do Sul.



 


Sobre o Cemitério e a Comunidade Evangélica da qual fazia parte, consta


na tradição oral da família que Christiano foi o doador da área de terra


para edificação da Capela e para o Cemitério, sendo que o primeiro


sepultamento naquele cemitério foi do seu filho Pedro Ohse que morrera


ainda jovem.



 


Christiano Ohse era o décimo segundo filho do casamento do Tenente


Francisco Ohse com Bárbara Theobald, ambos oriundos da Alemanha.



 


Ele nasceu em 27 de maio de 1882, em Nova Petrópolis, tendo sido criado


sob a rígida disciplina imposta por seu pai, do qual herdou, além do


porte físico, o espírito de liderança e as aptidões militares.



 


No ano de 1900, já aos 18 anos, quando fazia curso de tiro de guerra, o


comandante de seu destacamento percebeu sua habilidade no manuseio das


armas, seu  excelente aproveitamento e sua competência herdada de seu pai.



 


Em face disso, o indicou para assumir o cargo de delegado em Nova Petrópolis.


 


Seu trabalho e dedicação logo foram reconhecidas pela comunidade e foi


convidado a assumir também o cargo de Oficial de Justiça na Comarca de


São Sebastião do Caí, tendo desempenhado diuturnamente ambos os cargos


com eficiência e dedicação.



 


Como era bem remunerado, Cristiano passou a guardar dinheiro pois era


seu pensamento adquirir terras no interior do estado e, desta forma,


montar uma fazenda ou estância.


 


Por volta do início do século passado, nos anos 1900, ainda jovem e


residindo em Nova Petrópolis, Cristiano desposou Maria Reisdörfer, que


era, como ele, de origem alemã.



 


Contudo, o registrou do casamento somente ocorreu em 21 de agosto de 1915.


 


Sua esposa, que era uma mulher inteligente e de educação refinada,


nascera em 11 de outubro de 1883, era filha de Nicolau Reisdörfer,


cidadão Alemão, e de Anna Maria Reisdörfer, natural deste estado.



 


Eles tiveram os seguintes filhos nascidos em Nova Petrópolis: Maria,


Pedro, Christiano Filho (Christianinho), Leopoldo, Rosa, Elsa e


Guilherme. Em Almirante Tamandaré do Sul nasceram os demais filhos do


casal, ou seja, Ana, Ida, Carlos, Willibaldo, Albino Otto e Vilma.


 


Pedro e Vilma faleceram ainda crianças, sendo que esta última nasceu com


problemas sérios de saúde em função da tumultuada gravidez, pois no ano


de seu nascimento, 1923, ocorrera a famosa Revolução de 1923.



 


Em 1915, quando se iniciou a colonização de Almirante Tamandaré do Sul,


Christiano estava com 33 anos e resolveu adquirir terras na localidade.


 


Comprou uma área aproximada de 198 hectares de Polydoro Ferreira de


Albuquerque onde se estabeleceu com a família a aproximadamente 2 km da


Vila, do lado direito da estrada geral que demanda para Vila Seca, uns


200 metros antes do acesso para a sede da família Linck, hoje de


propriedade da família Dessoy.



 


Recém chegado à localidade, passou a ocupar uma posição de destaque na


comunidade idade local.  


 


De origem alemã e adversário político da tradicional família Meira,


Christiano enfrentou dificuldades e duras críticas, porém, era um homem


de boa índole, conciliador, de diálogo franco e até benevolente, o que


lhe valeu grande amizade e respeito das tradicionais e pioneiras


famílias da localidade e da região de Chapada, seus correligionárias


políticos: os Quadros, os Martins, os Sampaio, os Xavier da Cruz e outras.



 


Devido ao seu currículo e espírito comunitário, já no ano de 1917, foi


convidado pelo Cel. Pedro Lopes de Oliveira, então intendente de Passo


Fundo, para assumir o Comissariado do Distrito, tendo desempenhado este


importante cargo até o ano de 1923, quando iniciou a revolução entre


maragatos e chimangos.



 


Porém, ele sabia ser enérgico quando a situação exigia.


 


Christiano fazia parte do diretório do Partido Libertador sendo que  nas


eleições de 1922, seu partido firmou aliança com os federalistas e com


vários políticos de expressão, dissidentes do Partido Republicano


Rio-grandense e contrários à reeleição de Borges de Medeiros, os quais


já não agüentavam mais a situação política do estado, o continuísmo e a


concentração de poder de Borges de Medeiros e seus aliados.



 


Naquele ano, concorreram à presidência do estado, o Dr. Assis Brasil,


pela  Aliança Liberal (libertadores, federalistas e dissidentes do


Partido Republicano Rio-grandense) e o Dr. Borges de Medeiros, pelo


Partido Republicano Rio-grandense ou castilhista.


 


Borges buscava a sua quinta eleição, com mandato de cinco anos.



 


A eleição foi considerada fraudulenta pela oposição que se organizou e


iniciou um levante armado em 24 de janeiro de 1923, iniciando em


Carazinho a famosa revolução de 1923.


 


Contam os remanescentes daquele episódio que os maragatos, sob o comando


do Gen. João Rodrigues Menna Barreto e do Cel. Salustiano Ribeiro de


Pádua estavam acampados na baixada próxima do CTG Rincão Serrano em


Carazinho e formaram linha de combate (estenderam linha como diziam os


antigos) e vagarosamente, à cavalo, começaram a se deslocar em direção a


urna eleitoral que funcionava na rua Alexandre da Motta, mais ou menos


onde hoje está localizado o prédio do IPE.



 


Chegando ao local os maragatos não encontraram resistência e a urna foi


tomada, bem como a sede do distrito, então pertencente à Passo Fundo.


 


Christiano fazia parte daquela força militar onde ocupava o importante


posto de Capitão.


 


A revolução terminou em dezembro de 1923, quando foi firmado o pacto de


Pedras Altas, assinado no castelo de mesmo nome, por Assis Brasil e no


Palácio Piratini, por Borges de Medeiros.



 


Porém, continuaram as perseguições políticas praticadas pelas forças


públicas, seja através da Brigada Militar, seja através dos piquetes a


serviço dos capitães e coronéis que mantinham a liderança do Partido


Republicano Rio-grandense nas sedes, nos distritos e nas localidades do


interior.


 


Naquela época era comum a visita de escoltas e de piquetes nas


propriedades de adversários políticos onde praticavam toda a sorte de


desmandos, requisições de animais e quando encontravam o dono da


propriedade em casa, era rotina passarem-no nas armas.



 


Numa dessas visitas dos chimango, um soldado prendeu a vaca de leite da


família de Cristiano na mangueira e com a faca, cortou o úbere que ficou


jorrando leite e sangue.


 


Vendo isso, mesmo grávida, a esposa de Cristiano protestou pela


barbaridade praticada mas esse soldado, com um empurrão, jogou-a no chão


enlameado.



 


Antevendo o perigo, Maria retirou-se do local e então o soldado matou a


vaca. De imediato, os famintos piqueteiros prepararam um suculento


churrasco tomaram canha que mandaram buscar na Vila Seca.


 


Passaram o dia churrasqueando, bebendo e falando toda a sorte de


impropérios contra o dono da propriedade.



 


Foi um período difícil, no qual a maioria dos libertadores, adversários


do Partido Republicano Rio-grandense (chimangos) viviam escondidos nos


matos ou nas casas de vizinhos.


 


Christiano superou esse período com sorte, inteligência, coragem e muito


sofrimento. Por sorte, não foi assassinado.



 


Certa vez, foi preso mas por intervenção de sua mulher, que estava


grávida e compareceu na vila com todos os filhos, conseguiu demover as


autoridades locais, que depois de muito refletirem o soltaram.


 


Christiano era muito caprichoso e sempre se dedicou a agropecuária.


Tinha uma sede com um casarão de madeira, porão e sobrado, bem como uma


casa-de-chão onde depositava com fartura charque, salame e queijo,


produtos que sempre oferecia aos seus visitantes e amigos.



 


Além disso, o complexo possuía pomar, galpões e mangueiras.  


 


De cada lado da estrada geral de acesso ao casarão havia palmeiras,


semelhantes a coqueiros, fato que demonstrava beleza singular quando se


chegar a sua propriedade.



 


Na área do lazer, as caçadas ocupavam lugar de destaque, mas Cristiano


também gostava de carreiradas de cancha reta.


 


Seus cavalos parelheiros eram vistos com frequência correndo nas raias


do distrito, do município e até em municípios vizinhos.



 


Sua mulher lhe antecedeu na morte, vindo a falecer em 22 de agosto de


1966. Christiano Ohse, faleceu na residência do seu filho Willibaldo


Ohse, em Almirante Tamandaré do Sul.


 


Ambos foram sepultados no Cemitério Evangélico de Vila Seca, onde


repousam os restos mortais do casal.



 


Sem dúvida, podemos dizer que o patriarca Christiano Ohse foi um desses


homens iluminados, de liderança, que conquistou o respeito dos seus


familiares e das pessoas da comunidade, inclusive, dos seus adversários


políticos, que inúmeras vezes lhe convidaram para fazer parte de suas


agremiações partidárias.


 



 


Fontes:


 


Câmara Municipal de Carazinho


Registro Civil e de Imóveis de Nova Petrópolis


Arquivo Público do Estado


Tradição Oral da Família.


 



 


Nota:


 


Este texto foi enviado por Adari Francisco Ecker, primeiro filho de


Paulino Erminio Ecker e Lucilda Maria Ohse e bisneto de Cristiano Ohse.


Adari nasceu em 04/10/1954 na cidade de Almirante Tamandaré do Sul.


Atualmente reside na cidade de Sarandi, no norte do estado do Rio Grande


do Sul, para onde se transferiu depois de concluir seus estudos.


Casou-se com Dalva Maria Paquetti em Carazinho no dia 23/12/1978 e


possui duas filhas: Marcia e Cristiane Ecker.


É  membro da Comissão Organizadora do II Encontro da Família Ohse que


ocorrerá em janeiro de 2006 na cidade de Carazinho.


Participou ativamente do I Encontro da Família, realizado em 2004.


Trabalha como Diretor Executivo da Câmara Municipal de Sarandi.


Adari está empenhado atualmente em publicar seu livro, onde buscará


resgatar a origem das primeiras famílias que povoaram sua terra natal.


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